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| A Camp, Aimee Mann, Alana Davis,
Ani DiFranco, Arcade Fire, Basement Jaxx, Ben Kweller, Beth
Orton, Carina Round, Carla Werner, Casey Dienel, Cerys Matthews,
Coldplay, David Gray, Elliot Smith, Eurythmics, Fiona Apple,
Frou Frou, Garbage, Hole, Imogen Heap, Jeff Buckley, Joanna
Newsom, Jon Brion, Joni Mitchell, Juana Molina, Kanye West,
Kate Bush, Kylie Minogue, Lamb, Leona Ness, Lisa Loeb, Liz
Phair, Martina Topley-Bird, Maxïmo Park, Melissa Auf Der Maur,
M.I.A., Missy Elliott, Natalie Merchant, Nellie McKay, Nikka
Costa, Nina Simone, No Doubt, Norah Jones, Outkast, Paula
Cole, Peaches, Pete Yorn, Radiohead, Regina Spektor, Rufus
Wainwright, Shannon Wright, Shelby Lynne, Sheryl Crow, The
Cardigans, The Killers, The Streets, The White Stripes, Tori
Amos, Yann Tiersen, Yeah Yeah Yeahs, Zero 7, ... e muitas
outras cositas. |
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| A Cor Púrpura, Antes do Amanhecer,
Antes do Pôr-do-Sol, Amadeus, Amores Brutos, As Horas, Boogie
Nights, Brilho Eterno, Caindo na Real, Central do Brasil,
Clube da Luta, Cidadão Kane, Corra Lola Corra, Dançando
no Escuro, Donnie Darko, Ed Wood, Elefante, Embriagado de
Amor, Empire Records, Encontros e Desencontros, E Sua Mãe
Também, Evil Dead, Fantasia, Fargo, Hedwig, História Real,
Janela Indiscreta, Magnólia, O Bebê de Rosemary, O Casamento
de Muriel, O Fabuloso Destino de Amèlie Poulain, O Iluminado,
O Mágico de Oz, O Piano, O Povo Contra Larry Flynt, O Que
Terá Acontecido à Baby Jane?, Os Excêntricos Tenenbaums,
Os Incríveis, Pequena Miss Sunshine, Pi, Psicose, Quanto
Mais Quente Melhor, Quase Famosos, Réquiem Para um Sonho,
Seven, Thelma & Louise, Vertigo... |
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Sexta-feira, Dezembro 31, 2004
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TOP 15 Filmes de 2004:
#01. Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças
the.way.things.are escolhe este como o melhor filme de 2004. Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembraças é um trabalho completo de direção, roteiro, atuação, edição, arte e trilha sonora. Existe perfeição em cada quadro, diálogo e interpretação aqui. Michel Gondry (diretor) retrata o tratamento de esquecer pessoas, do qual a personagem de Jim Carrey se submete após descobrir que a ex-namorada (Kate Winslet, com tudo para ser indicada ao Oscar) fez o mesmo, como uma corrida pelos caminhos misteriosos da mente humana - e ninguém mais visionário do que Gondry, ao lado do roteirista mais criativo e maluco de Hollywood (Charlie Kaufman), para fazer isso.
#02. Antes do Pôr-do-Sol
Nove anos se passaram. Jesse e Celine se reencontram para passar mais um dia juntos, relembrarem de como se conheceram e saber o rumo que a vida de cada um tomou. Ele (Ethan Hawke) agora é um conhecido escritor, enquanto ela (Julie Delpy, simplesmente cativante, deveria ganhar uma indicação ao Oscar - que provavelmente não terá) trabalha para uma organização de proteção ao meio-ambiente. Mesmo sendo uma longa caminhada entre as ruas de Paris, a fita não se torna chata devido aos seus diálogos práticos e espontâneos - identificações vão acontecer. Para quem gostou do primeiro, irá se apaixonar pela sequência.
#03. Encontros e Desencontros
Sofia Coppola retrata solidão, destino e amizade. Solidão das personagens estarem num lugar que não se identificam, destino no encontro delas no bar do hotel em que estão hospedadas e amizade ao buscarem conforto um no outro. A diretora/roteirista não conta uma história de amor convencional, e sim uma experiência única de suas personagens. Enquanto Bob (Bill Murray) encontra-se no país para atuar em um comercial de uísque, Charlotte (Scarlett Johansson) acompanha seu marido, um fotógrafo workaholic que a deixa sozinha no hotel. Ambos sofrem com o fuso horário, não conseguem dormir e juntos descobrem uma cidade que não conheciam até então. Encontros e Desencontros conta com uma belíssima trilha sonora, no mínimo obrigatória.
#04. Elefante
Em Elefante, o diretor Gus Van Sant toca em uma das feridas dos Estados Unidos: o massacre ocorrido na Columbine High School - em abril de 1999, quando dois alunos munidos de armas e bombas caseiras mataram treze pessoas e deixaram mais de vinte feridos, entre alunos e professores. É o olhar cuidadoso de Van Sant que nos apresenta um pouco de cada um daqueles adolescentes e a estrutura da escola (com sua câmera que passeia pelos corredores, pátios, refeitórios, salas de aula e banheiros de forma arquitetônica) que faz de Elefante uma obra-prima em seu currículo.
#05. Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas
Tim Burton é um cineasta extravagante, porém Peixe Grande é um trabalho delicado, repleto de fantasia e sensível. Ed Bloom (Albert Fiiney) é um contador de histórias que encanta as pessoas com as suas aventuras - com excessão de seu filho Will (Billy Crudup). Mas, as coisas ficam prestes a mudar quando Sandra (Jessica Lange), mãe de Will, tenta aproximar os dois ao saber que o marido encontra-se doente. Há uma inocência adulta em Peixe Grande que me fez chegar em casa e escutar "Man of the Hour" aos prantos - mas aí, depende como o filme afeta cada espectador.
#06. Kill Bill
Se a vingança é um prato que se serve frio, Quentin Tarantino (ao lado de Uma Thurman) agradece por ter sido um dos nomes mais quentes do ano com o seu projeto Kill Bill. Não é para menos. A história da "Noiva", que após cinco anos em estado de coma procura dar o troco aos seus mal feitores, é regada de kung-fu, trilha sonora excepcional, referências da cultura pop e ainda apresenta uma Uma Thurman magnífica - dando vida à personagem de sua vida. Apesar de estar dividido em duas partes, um volume acaba complementando o outro, por isso que o coloco aqui como um só.
#07. Os Incríveis
Se a moda é fazer filmes sobre super-heróis e seus poderes, a Pixar que não é boba entrou na onda: lançar uma fita sobre eles. Mas, aqui são seres que levam uma vida pacata como a de qualquer ser humano. Eles trabalham, têm filhos, deveres de casa,.... O Sr. Incrível era um dos maiores heróis do planeta (com direito a fã-clube), mas após salvar um executivo que tentava o suícidio, é processado e condenado a uma série de procedimentos que resultaram em uma espécie de condenação aos super-heróis. Agora, Robert (a.k.a Sr. Incrível) trabalha em uma seguradora e leva a vida de casado - ao lado de Helen (a.k.a. Mulher Elástica). Porém, uma misteriosa missão dá início a uma série de peripécias que fará a família voltar à ativa. Vale destacar uma das personagens mais "carismáticas" de Os Incríveis, a adorável Edna Mode!
#08. Na Captura dos Friedmans
O que à princípio parecia ser apenas um documentário sobre o palhaço Silly Billy, um dos mais famosos animadores de festas infatis em Manhattan, acaba se tornando em uma fita (realista e) dramática. Na realidade o palhaço é David Friedman. Quinze anos antes, os Friedmans eram uma família típica - o pai, um professor premiado, que morava com sua esposa e seus três filhos. Mas, a máscara dos Friedmans cai quando a polícia entra na casa para vasculhar tudo. Resultado: o pai (Arnold) e seu filho de dezoito anos (Jess) são acusados de pedofilia após terem sua correspondência interceptada contendo pornografia infantil - poucas semanas depois, recebem 91 acusações por abuso sexual de oito crianças que tinham aulas de computação na casa. A riqueza do documentário está na sua narrativa e veracidade do material que apresenta cenas exclusivas (filmadas por David, na época) do clã dos Friedmans e a desestruturação da mesma diante dos fatos.
#09. As Bicicletas de Belleville
Apesar do exagero e o leve humor negro é impossível não ficar torcendo pela Madame Souza. Uma vovô que atravessa o oceano de pedalinho acompanhada de seu fiel cão Bruno (que rouba a atenção do espectador com seus sonhos em preto-e-branco) para salvar o seu neto - um famoso corredor de bicicleta que foi seqüestrado. O jovem está sendo levado para Belleville, onde será usado por um mafioso num sistema de apostas. É chegando em Belleville (uma cidade fictícia que serve de crítica a um lugar que você vai reconhecer) que a velhinha, sem um tostão no bolso, encontra um trio veterano e divertido de canto e dança - as irmãs Belleville. Neste momento, a fita ganha um ritmo tão gostoso que se sustenta até o final com a deliciosa trilha sonora de Ben Charest.
#10. 21 Gramas
Paul Rivers (Sean Penn) sofre de uma doença terminal e sua mulher planeja engravidar através de inseminação artificial. Cristina Peck (Naomi Watts) é casada e tem duas filhas, mas um trágico acidente envolvendo a sua família faz com que ela perca todos os sentidos pelos quais vive. Já o ex-presidiário Jack Jordan (Benicio Del Toro) e sua mulher criam dois filhos com dificuldades, ao mesmo tempo em que ele busca recuperação na palavra de Deus. Porém, um acidente envolvendo a família de Christina e Jack, faz com que a vida dessas pessoas tomem rumos diferentes e inesperados até se encontrarem. O que mais incomoda no filme de Iñarritu (e, particularmente, é o que mais chama minha atenção) é a sua edição nada linear, que vai se explicando na medida em que o longa vai chegando ao seu fim. Há muitos flashbacks não anunciados que causam furor em espectadores mais conservadores - lembro que muitos deixaram a sessão de cinema.
#11. O Outro Lado da Rua
Pode parecer primeiro uma versão tupiniquim para o clássico de Hitchcock, Janela Indiscreta. Pode, mas não é. Regina (Montenegro) é uma senhora sem muitas preocupações e tem todo o tempo do mundo para si. Para não ficar vivendo na solidão, participa de um serviço de denúncia onde aposentados se encarregam de delatar pequenos crimes - isso para ela é uma distração perfeita. Mas, em uma noite no seu apartamento, acredita ter presenciado um homem matando a esposa com uma injeção letal - a polícia diz que a morte foi natural e deixa o caso de lado. Agora resta à ela provar o contrário, nem que para isso tenha que se envolver com o suposto assassino. O longa poderia sustentar-se facilmente na premissa de Hitchcock, mas vai além disso com seu roteiro autêntico - principalmente no que diz respeito aos diálogos sobre velhice (entre "Branca de Neve e Patolina"). Fernanda Montenegro e Raul Cortez trabalham aqui em perfeita sintonia.
#12. Adeus, Lênin!
Antes da queda do muro de Berlim, uma senhora entra em coma e fica desacordada durante os dias que deram início a uma mudança radical no país. Porém, quando desperta (em meados dos anos 90), o seu filho Alexander (Daniel Brühl, ótimo ator que tem tudo para fazer uma carreira fora da Alemanha) teme a excitação da mãe e decide esconder todos os acontecimentos - nem que para isso ele precise omitir a queda do muro e a invasão capitalista do lado alemão que vivem.
#13. O Agente da Estação
Três personalidades, vidas e características diferentes. Um anão, uma artista que sofre com a perda do filho e o dono de um trailer (espécie de lanchonete móvel). O segredo de O Agente da Estação está na forma em que as distintas personagens cativam o espectador. O projeto desenvolve uma narrativa onde a amizade entre pessoas diferentes fica em primeiro plano - e isso que torna a fita em algo tão agradável e adulto. E sim, Patricia Clarkson é uma das minhas atrizes favoritas.
#14. Monster
Monster é uma história real sobre amor e violência. O destino colocou a prostituição e o abuso na vida de Aileen Wuornos / Lee (Theron) muito cedo, transformando-a em um mulher transtornada. Perto de cometer suícidio, conhece a adolescente Selby (Christina Ricci) que mora com os tios, em um lugar onde seus pais acreditam que terão a filha lésbica "curada". Ricci está em uma ótima atuação, apresentando uma personagem fundamental para o desenvolvimento e criação do papel dado à Theron - e ganhador do Oscar de Atriz - provando não ser apenas a maquiagem que sustenta sua performance.
#15. Diários de Motocicleta
Em Diários de Motocicleta temos Ernesto ("Che") Guevara de la Serna (Gael Garcia,...). Estudante do último ano de Medicina que abandona a faculdade para conhecer os países da América Latina ao lado de seu amigo, Alberto Granado (Rodrigo de la Serna). Os dois saem da Argentina, rumo ao norte, em uma motocicleta que quebra após oito meses de viagem. Continuam a trajetória com caronas, caminhadas, ajuda de desconhecidos (afinal o dinheiro é escasso) até serem enviados à uma colônia de leprosos, no Perú - Lá, Guevara inicia uma série de questionamentos sócio-econômicos dos lugares que conheceram após presenciar um nível de extrema desiguldade entre os povos. A trilha sonora de Gustavo Santaolalla, uma mistura de ritmos latinos com guitarras calmas (experimente a faixa "Apertura"), contribue muito para o projeto.
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Era isso. Agora só volto ano que vem. Feliz Ano Novo, amigos.
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Sexta-feira, Dezembro 24, 2004
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TOP 50 de discos de 2004 - # 01-10
# 01. Elliott Smith
(From a Basement on the Hill)
the.way.things.are escolhe este como o melhor disco de 2004. Com este lançamento póstumo, Elliott Smith prova que foi um dos melhores letristas da geração atual. From a Basement on the Hill é tão expressivo quanto seus discos anteriores - um encontro da música de XO e a delicadeza de Either/Or.
Começa com um silêncio, interrompido por riffs de guitarras e bateria pesada, logo encontrando consolo na voz do cantor. Do belo piano que dá início a "King´s Crossing" ao violão dedilhado de "Memory Lane", cria-se uma obra de adeus fundamentada em letras melancólicas proporcionando um conceito de que o (aparente) suicídio de Smith é resultado de uma vida infeliz. Frases como "This is not my life it's just a fond farewell to a friend / it's not what I'm like..." vêm a ser fantasmas que perseguem o ouvinte.
É provável de que agora em diante, seu nome seja alvo de vários exploradores do mercado fonográfico com "fetiche" ($$$) em lançar trabalhos póstumos.
Dica de download: "Fond Farewell", "King´s Crossing" e "Pretty (Ugly Before)"
# 02. Joanna Newsom
(The Milk Eyed-Mender)
Primeiro alguns vão pensar: "esse cara é louco". Afinal, na primeira audição o disco de Joanna Newsom soa estranho pela sua voz - imagine uma criança tentando bancar a Cerys Matthews e a Kate Bush. Por outro lado, sem o vocal de Newsom este poderia ser um álbum comum, mas não é. A garota de 21 anos, antes de ingressar na carreira artística, tocava harpa em festas de casamentos e aqui traz o instrumento como destaque. Impossível não admirar faixas como "Bridges and Balloons" ou "Sprout and the Bean" com os belíssimos arranjos. E se "This Side of the Blue" mixa uma guitarra deslizante junto a um orgão, o que dizer da sublime "Peach, Plum, Pear" na qual a voz rasgada de Newsom procura sintonia no cravo e nas crianças que a acompanham na canção?
Há uma beleza peculiar em The Milk-Eyed Mender que poucos reconhecerão.
Dica de download: "Sprout and the Bean", "Sadie" e "Peach, Plum, Pear"
# 03. Juana Molina
(Tres Cosas)
Juana Molina é uma argentina que obteve prestígio internacional em 2003, com o seu segundo álbum (Segundo), e agora retorna com o seu delicado Tres Cosas. Tudo indicava que seu disco iria ser produzido para ser cantado em língua inglesa, porém a jovem optou em manter o espanhol em suas canções. A voz suave de Molina não se perde em seu sotaque (pouco carregado comparado a outros artistas hispânicos) proporcionando uma atmosfera de fascinação. Musicalmente, trata-se de um pop sofisticado agregado a melodias eletrônicas eficientes (sem ser artificial) acompanhadas de violão e teclados. Comprove pela faixa título aqui (clique com o botão direito do mouse e selecione "salvar destino como...") o que Juana é capaz de fazer.
Dica de download: "Tres Cosas", "No Es Tan Cierto" e "Sálvase Quién Pueda"
# 04. Regina Spektor
(Soviet Kitsch)
De desconhecida à talentosa cantora - assim é Regina Spektor. A menina que saiu da Rússia aos dez anos de idade, para morar nos EUA com a família, pode ser considerada uma garota de sorte. Isso pelo fato de ter aberto alguns shows dos Strokes e ainda dividir a faixa "Modern Girls & Old Fashioned Men" (um b-side do single "Reptilia" do grupo) com Julian Casablanca. O estilo de Spektor é mutável como seu piano - algumas vezes audaciosa (Poor Little Rich Boy ou o interlúdio "Whisper"), sarcástica ("Ghost of Corporate Future" / "Ode to Divorce") ou simplesmente energética ("Us"). É seu vigor e espírito criativo que fazem de Soviet Kitsch impecável. Agora é esperar e ver o que 2005 reserva para ela.
Dica de download: "Carbon Monoxide", "Poor Little Rich Boy" e "The Ghost Of Corporate Future"
# 05. Björk
(Medúlla)
Björk poderia muito bem lançar um disco na linha de Post, Homogenic ou Vespertine, mas não. Inicialmente o trabalho soa difícil, mas após ter o ouvido acostumado, Medúlla é uma peça rara e reflexiva na carreira da cantora - concluindo-se que sonoridades originais e inovadoras perseguem o seu estilo. Os instrumentos praticamente saem de cena para que as vozes - da própria Björk, seus convidados ou do coral que a acompanha dêem estabilidade ao álbum. "Ancestors" apresenta um piano minucioso impondo-se a variações vocais, supiros e respirações. Do solo vocal de "Show me Forgiveness à participação de Mike Patton em "Where Is the Line", "visionária" continua sendo o segundo nome da cantora.
Dica de download: "Ancestors", "Where Is The Line?" e "Oceania"
# 06. Juliana Hatfield
(In Exile Deo)
Este é o melhor disco da carreira de Juliana Hatfield - que não lançava nada desde 2000. "Get in Line" é rápida, pesada, virtuosa e com um fantástico solo de guitarra. As baladas "Forever" e "Tomorrow Never Comes" seguram bem o disco - a primeira no estilo da cantora, enquanto a outra trata-se de um cover (de Dot Allison) melhor do que a versão original. Se a carreira de Juliana estava estagnada, In Exile Deo é uma reviravolta em sua vida artística.
Dica de download: "Tomorrow Never Comes", "Get in Line" e "Tourist"
# 07. Nellie McKay
(Get Away From Me)
Get Away From Me (título irônico em relação ao multiplatinado disco de Norah Jones) é composto de jazz, soul, blues, dance pop, hip-hop e sim, muitos palavrões - visualize um Eminem clássico de saias. "David" trata do amor platônico de uma adolescente obcecada pelo professor ("David don't you hear me at all / David won't you give me a call / Waitin' here not making a sound / David come around"), "Manhattan Avenue" passeia pelo jazz, "Sari" é um hip-hop regado de questões pessoais e políticas (como a fraude das eleições nos EUA em 2000, "at our own supposed sabotage of the elections at home") e "Waiter" remete Pet Shop Boys (!!). McKay, com certeza, é uma das revelações mais importantes do ano.
Dica de download: "Sari", "Toto Dies" e "Waiter"
# 08. I Heart Huckabees
(Trilha Sonora)
Jon Brion é um artista completo. Dedica-se à carreira solo, produz outros artistas (como Aimee Mann - aqui a faixa "Revolving Door" lembra a cantora) e se não bastasse ainda arranja tempo para fazer trilhas sonoras magníficas (algumas de seu currículo são: Magnólia, Embriagado de Amor e Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças). Existe uma genialidade que cerca as composições de Brion - sempre únicas e excepcionais, harmonizando sons inocentes em tramas complexas.
Dica de download: "Knock Yourself Out", "Didn´t Think It Would Turn Out Bad" e "Monday"
# 09. Loretta Lynn
(Van Lear Rose)
Nos anos anos 60/70, Loretta foi uma das cantoras mais famosas da country music e suas canções lideravam as paradas. Nos anos 90, aposentou-se da indústria para cuidar do marido doente e, consequentemente, foi caindo no esquecimento. Tentou voltar em 2000 com um disco de pouquíssima divulgação, mas 2004 lhe reservava algo especial. Juntou forças a Jack White (do White Stripes e admirador do trabalho da cantora) - responsável pela produção do álbum - e lançou o aclamado Van Lear Rose. O encontro de gerações resulta no estilo clássico de Lynn em parceria à agilidade da guitarra de White. Não apenas sustentado de country, o álbum também permite Loretta a aventurar-se no rock ("Mrs. Leroy Brown") - fico admirado com a coragem desta senhora de setenta anos.
Dica de download: "Portland Oregon", "High on the Mountain Top" e "Miss Being Mrs"
# 10. The Killers
(Hot Fuss)
Direto de Las Vegas, o grupo tem a sua estréia com este Hot Fuss - acabaram não tendo a sorte do Franz Ferdinand de serem a mais nova banda queridinha de todos. Embarcam em influências dos anos 70/80, tendo como diferencial ritmos mais dançantes. O som do The Killers é um encontro de Duran Duran, The Cure, New Order e Smiths jogados dentro do mesmo estúdio. A combinação apesar de extravagante, não poderia ser mais perfeita. São guitarras tocadas ao lado de sintetizadores remetendo a onda new wave. Experimente ouvir "Smile Like You Mean It" e "Somebody Told Me, caso não gostar... desista.
Dica de download: "Smile Like You Mean It", "Somebody Told Me e "Andy, You're a Star"
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Terça-feira, Dezembro 21, 2004
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TOP 50 de discos de 2004 - # 11-20
#11. Arcade Fire
(Funeral)
Funeral é o álbum de estréia do Arcade Fire. Encabeçado por Win Butler e Régine Chassagne (marido e mulher), o disco começou a obter processo criativo diante da morte de familiares dos membros da banda. Então pode sentar para escutar canções tristes que tratam do tema, sendo arremessadas diante de melodias fragéis e que são salvas por belos arranjos (geralmente melancólicos) de cordas, influenciadas por um estilo folk e um pop de primeira.
Dica de download: "Crown of Love"
#12. PJ Harvey
(Uh Huh Her)
O novo trabalho de Polly Jean em relação ao seu anterior, Stories from the City Stories from the Sea, tem cara de material independente. Agora você deve estar se perguntando se isso é ruim, certo? A resposta é um não. Uh Huh Her é o abandono do pop criado em Stories... e um retorno ao rock seco dos discos anteriores. Aqui, ela não apenas se responsabiza pelos vocais, mas pelos instrumentos (menos a bateria), além de produzir e mixar as canções. Não é à toa que PJ é diva do rock alternativo. Ou tá pensando que qualquer uma pode sair cantando de forma curta e grossa "who the fuck do you think you are / Comin' round here" e mesmo assim ser super bacana?
Dica de download: "Who the Fuck?"
#13. Carina Round
(The Disconnection)
Carina Round emprestou sua voz no primeiro disco solo de Ryan Adams na singela "Come Pick Me Up". Depois disso, continuou com apresentações, mas é com este The Disconnection que solidifica sua carreira. Apostando num som que remete uma atitude da melhor fase de PJ Harvey (escute "Into My Blood") com a sensualidade de Fiona Apple, o álbum acaba se tornando repleto de momentos vigorosos.
Dica de download: "Lacuna"
#14. Brian Wilson
(Smile)
Smile teve que esperar quase quarenta anos para ser lançado - este seria o sucessor do clássico Pet Sounds do Beach Boys. Brian Wilson decidiu abandonar o projeto em 1967, pois acreditava que o trabalho estava muito à frente de seu tempo e seu público não estava preparado. Os sérios problemas com drogas na época, também ajudaram o disco a ser engavetado.
Smile abre com harmonias vocais ("Our Prayer") como se fosse uma oração e logo desembarca em "Heroes & Villains" - uma parceria entre Wilson com o letrista Van Dike Parks, e fecha com um dos seus últimos hits, "Good Vibrations" - que termina aqui sob os aplausos. Por incrível que pareça, o álbum ainda continua contemporâneo.
Dica de download: "Heroes and Villains"
#15. Lisa Loeb
(Way It Really Is)
Lisa está mais madura, continua escrevendo letras fantásticas (como é o caso da belíssima "Try" ao piano - que é capaz de levar o ser mais durão às lágrimas) e apresenta composições tão certeiras que formam uma química musical perfeita. Se os arranjos de "Window Shopping" e "I Control the Sun" são animados, o mesmo já não pode ser dito de "Hand Me Down", na qual a sua voz é suave como os instrumentos que a acompanham. "Fools Like Me" concentra uma energia musical (principalmente no refrão) que resulta em desgate quando canta pela última vez "Love was surely made for fools like me". E o que dizer do violão agradável, backing vocals simples (que dão o recado) e uma sensação boa quando diz de forma sincera: "Would you wander for me? 'cause I'd wander for you", na doce "Would You Wander"? Para quem já a conhece é impossível não gostar.
Dica de download: "Would You Wander"
#16. Jolie Holland
(Escondida)
Escondida é recheado de folk ("Sascha" e "Old Fashion Morphine"), jazz ("Mad Tom of Bedlam") e belas composições ao piano ("Amen", "Damn Shame" e "Tiny idyll" que começa com um piano de brinquedo) na voz da jovem. Apesar da pouca idade, canta como se fosse uma diva dos anos 40/50, da altura de Billie Holiday. E não espere nada na linha clássica atual como é apresentado por Diana Krall, já que Holland é muito mais fiel ao estilo.
Dica de download: "Old Fashion Morphine"
#17. Kanye West
(College Dropout)
O que o Outkast foi ano passado e neste, Kanye West será para o que está por vir - ele está prestes a entrar na lista dos grandes artistas do hip hop. Antes disso, era mais conhecido como produtor do que rapper, trabalhando com artistas como Jay-Z, Ludacris e Alicia Keys. O fato de ser produtor faz com que exista um clima de perfeição entre samples, hip hop e soul em The College Dropout. Há bons momentos como "All Falls Down", "Jesus Walk"s (um dos melhores singles do ano), "Two Words" e "Through the Wire" (com o sampe de "Through the Fire", de Chaka Khan). Em suas letras temas como sexo, Deus, drogas e vida pessoal estão presentes. Não será surpresa ver o álbum ganhar alguns prêmios na noite do Grammy.
Dica de download: "Jesus Walks"
#18. Air
(Talkie Walkie)
Um piano bem marcado ("Venus"), sons hipnóticos ("Run") ou faixas exclusivamente eletrônicas ("Mike Mills" e "Alone in Kyoto") faz deste trabalho do Air, o mais fácil de cair no gosto popular. Talkie Walkie é um encontro inevitável de Moon Safari e 10.000 Hz Legend. Os franceses Jean-Benoit Dunckel e Nicolas Godin pela primeira soltam a voz em algumas das canções, deixando a preocupação com as letras, diante das melodias e inveções criadas por eles, em segundo plano.
Dica de download: "Run"
#19. Sondre Lerche
(Two Way Monologue)
O segundo disco de Sondre Lerche é um prato cheio de pop e arranjos cuidadosos. O norueguês, de vinte e um anos, traz na sua bagagem um pouco de Elvis Costello, Brian Wilson, Burt Bacharach, Badly Drawn Boy e Jeff Buckley. Ele expressa sensibilidade ("It´s Too Late"), apresenta folk/country ("Stupid Memory") ou deixa-se levar pelo agradável pop/rock (faixa título). Two Way Monologue é uma conversa musical sobre vivências pessoais - sim, experiências amorosas. Porém, trata-se de um monólogo de 48 minutos que poderia ser chato, mas não é.
Dica de download: "Track You Down"
#20. Adriana Partimpim
(Adriana Partimpim)
Sob o heterônimo de Adriana Partimpim, Adriana Calcanhoto grava seu sétimo álbum para um público distinto... não se trata de um trabalho para crianças, e sim um disco de "Classificação Livre", como ela define. Resgatando uma brasilidade em composições lúdicas e graciosas, o projeto apresenta curiosidades. "Oito Anos" de Paula Toller é cheia de "porquês" na letra, a marchinha de carnaval "Lig-Lig-Lig-Lê" (1937) é resgatada do baú e "Fico Assim Sem Você" traz nada mais que um game boy entre os vários instrumentos. Música para todas as idades.
Dica de download: "Canção da Falsa Tartaruga"
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